A Terra, enquanto suporte
das mais variadas formas de vida, apresenta especificidades nas suas
características que têm permitido a existência de uma grande diversidade de
seres vivos. De entre essas particularidades pode-se constatar a existência de
água abundante, uma atmosfera com a composição gasosa ideal e que permite,
entre outras funções, a absorção de radiações nocivas provenientes do sol, e a
existência de uma temperatura à superfície compatível com a manutenção de água
líquida e com a vida. Também a sua crusta,
em contínua mudança, como resultado da energia interna do globo e da
meteorização à superfície, é o substrato fundamental para suportar complexas formas
de vida. A Terra constitui assim um sistema de que fazem parte subsistemas
abertos inter-relacionados e influenciando-se mutuamente, mantendo um
equilíbrio dinâmico.
Fonte: Miller, Tyler (2005) – Living in the
environment, p.8
O conceito de
biodiversidade integra toda a variabilidade entre os organismos vivos, do nível
genético ao nível dos ecossistemas, compreendendo no seu sentido mais lato toda
a biosfera. (…) A biodiversidade tem um papel fundamental na manutenção da
estabilidade dos ecossistemas, assegurando a continuidade das condições que
permitem a existência da espécie humana (Proença et al., 2009).
«Species
interact with other species of plants, microorganisms and animals, through
symbiotic interactions (such as mutualism, predation, competition, amensalism),
as well as with the abiotic environment in wich they live (…). Also, each
species has its set of optimum environmental conditions (temperature, humidity,
CO2 concentration, O2 concentration, pH, etc.) that
define the circumstances in which they thrive, in which they survive, or in
which they die» (Bacelar e Azeiteiro,
2015).
As alterações que a Terra experimenta refletem-se
na distribuição e no tipo de formas vivas que a habitam, onde os fluxos
energéticos, de origem interna e externa, possibilitam todas as transformações.
« Some regions of the Earth have more or
less the same abiotic ando biotic features/characteristics spread over a large
área, creating a typical ecosystem (…). Such major ecosystems are termed biomes
(…). Biomes are defined as contiguous áreas with similar climatic conditions,
and with similar communities of plants, animals, soil microorganisms, and viroses
» (Bacelar e Azeiteiro, 2015).
A interferência humana tem vindo a produzir
efeitos cada vez mais vastos e com impactes ambientais nos vários subsistemas
cada vez mais profundos, tanto a nível local como a nível global.
«Since
the period of the industrial revolution, the human population has grown,
recently reaching 7.2 billion people on Earth in 2015 (…) environmental
conditions have changed due to our activities, namely there has been an
increase of atmospheric CO2 concentrations, as well as other
“greenhouse” gases (…), an increases of atmospheric temperature» (Bacelar e Azeiteiro, 2015). Estas
acentuadas alterações nas condições de equilíbrio que têm vindo a ocorrer, levantam
forçosamente questões quanto à capacidade de autorregulação e de resiliência
dos diversos subsistemas. «Observed
recent changes in climate, especially warmer regional temperatures, have
already had significant impacts on biodiversity and ecosystems, including
causing changes in species distributions, populations size, the timing of
reproduction or migrations events, and an increase in the frequency of pest and
disease outbreaks » (Millennium Ecosytem Assessment, 2005).
«When
environmental conditions change and fall out of the optimum physiological
ranges,for a given biological species, their populations may migrate, evolve
and adapt, survive in “refuges”or go extinct» (Bacelar e Azeiteiro, 2015).
Ao longo da história evolutiva das formas de
vida na Terra, verificou-se que algumas espécies desapareceram, sendo
posteriormente, substituídas por outras. Os fósseis, por exemplo, são
considerados restos ou vestígios deixados por seres vivos contemporâneos à
formação da rocha em que aparecem, que viveram em tempos geológicos anteriores
e que, após a morte, ficaram incorporados nos sedimentos. Funcionam, deste
modo, como preciosos arquivos sobre acontecimentos passados, à semelhança das rochas
sedimentares que contêm igualmente importantes informações sobre a história da
vida e da Terra como a repartição dos continentes e dos oceanos, a composição
da atmosfera, da fauna e da flora sempre em mudança.
« The
most important direct drivers of biodiversity loss and change in ecosystem
service are habitat change – such as land use change, physical modifications of
rivers (…), damage to sea floors (…), climate change, invasive alien species,
overexploitation of species, and pollution. (…) Biodiversity change is most
clearly a consequence of the direct drivers. However, these reflect changes in
indirect drivers – the root causes of changes in ecosystems. These can be
classified into the following broad categories: change in economic activity,
demographic change, sociopolitical factos, cultural and religious factos, and
scientific and technological change» (Millennium Ecosytem Assessment, 2005).
São várias as forças motrizes que direta ou
indiretamente têm sido promotores de alteração de biodiversidade em Portugal.
Das forças motrizes diretas, aquelas que exercem uma influência direta sobre os
ecossistemas, destacam-se as alterações ao uso do solo, a sobreexploração de
recursos, o aumento da rede viária, a poluição, a ocorrência de fogos, a
introdução de espécies exóticas, e, a longo prazo, o efeito das alterações
climáticas. Das forças motrizes indiretas, que não afetam diretamente os
ecossistemas mas têm efeito sobre as forças motrizes diretas, é de destacar a
situação de Portugal como membro da União Europeia e a influência das políticas
e diretivas comunitárias tanto a nível ambiental como a nível económico e
social (Proença et al., 2009), e de que é exemplo, a
Política Agrícola Comum.
A grande diversidade de ecossistemas e de
espécies que ocorrem em Portugal é resultado da conjugação de fatores
climáticos, edáficos e históricos (Proença et
al., 2009). Atualmente a área
florestal portuguesa constitui o principal uso do solo e as maiores manchas
florestais localizam-se no Norte e Centro do país.
Quanto à distribuição geográfica das várias
espécies arbóreas, em Portugal continental, na região atlântica, o predomínio da
floresta de folha caduca como o carvalho-roble (Quercus robur), o carvalho-negral (Quercus pyrenaica), e também o carvalho- cerquinho (Quercus faginea), e na região mediterrânica,
o predomínio do sobreiro (Quercus suber)
e da azinheira (Quercus ilex) (Proença
et al., 2009).
Ao longo dos tempos, a floresta autóctone, que
corresponde à floresta constituída por espécies nativas ou indígenas, isto é,
originárias do próprio território onde habitam, foi sendo substituída pelo
pinheiro-bravo (Pinus pinaster),
tornando-se a espécie dominante no território continental português, ou pelo
eucalipto (Eucalyptus globulus),
sendo esta última uma espécie de crescimento rápido e muito utilizada na
produção de pasta de papel. O esgotamento dos solos e a diminuição das reservas
hídricas provocados pela expansão desta espécie têm gerado, todavia, uma forte polémica,
associando-se ainda a perdas acentuadas ao nível da biodiversidade local. A
degradação do solo, e portanto a desertificação, acarreta, para além da redução
da fertilidade e capacidade de suporte do nível fitotrófico dos ecossistemas,
uma redução da capacidade de retenção de água (Domingos et al., 2009).
Portugal tem assistido a um aumento da
desflorestação, em grande parte, devido ao elevado número de ocorrências de
incêndios florestais. O abandono da agricultura facilita a fixação de arbustos
correspondentes aos estágios iniciais da sucessão ecológica, afetando, tanto
positiva como negativamente, a fauna e a flora (…) e criam condições para o
desenvolvimento e ciclos de fogo frequentes e severos (Domingos et al.,
2009). A nível ambiental, o declínio florestal ou o aumento dos terrenos de
cultivo e de pasto tem conduzido à diminuição da biodiversidade, colocando
algumas espécies em perigo ou originando em última instância, a sua extinção,
de que são exemplos o lobo (Canis lupus)
ou o lince ibérico (Lynx pardinus).
Em Portugal, e à semelhança das tendências
mundiais, tem-se assistido à concentração da população e das atividades nas
áreas urbanas no litoral, e especialmente, em torno das Áreas Metropolitanas de
Lisboa e do Porto, contrastando com o progressivo despovoamento de áreas do
interior do país. A importância do setor da construção civil revela-se também
na abordagem tradicional ao turismo, baseada na construção, com a exploração
intensa de áreas costeiras, reduzindo a sua atratividade paisagística e
ambiental, precisamente a base do seu valor turístico (Domingos et al.,
2009). Esta tendência estimula o acesso e a permanência de um grande número de
pessoas na zona de contacto entre o espaço terrestre e o espaço marítimo, que
constitui, por definição, um bem único e frágil. A pressão de aumento do
turismo tem uma componente exógena, dos mercados de turismo internacionais, mas
é principalmente endógena, devido à procura interna por casas de férias e aos
interesses económicos do setor da construção civil (Domingos et al.,
2009).
Por um lado, o despovoamento e o abandono de
práticas agrícolas, podem manifestar-se em perdas de biodiversidade local e,
por outro lado, a ocupação de grandes áreas da superfície por populações
humanas desencadeia uma intensa pressão sobre o ambiente e que pode comprometer
o equilíbrio dos vários subsistemas terrestres.
O aumento da urbanização, que em Portugal se
intensificou a partir da 2.a metade do século XX, conduziu a forte
pressão sobre os ecossistemas, uma vez que as cidades tornaram-se os principais
consumidores de recursos naturais, de energia e as maiores produtoras de
resíduos. O aumento da densidade populacional urbana originou uma enorme
necessidade de espaço e o processo de expansão urbana, pouco ou nada planeada,
provocou consequências muito diversas e indesejadas. Os mecanismos de
localização correta da urbanização, embora estejam contidos na lei (…) não são
acionados e a Administração continua a reboque da iniciativa privada (Domingos et al.,
2009). Desencadeou, assim, a desflorestação de vastas áreas e a ocupação de
solos com elevada aptidão agrícola para a edificação das demais estruturas
urbanas e vias de comunicação, a fragmentação e perda de habitats selvagens, a alteração no clima urbano ou a elevada
produção diária de resíduos urbanos. A impermeabilização do solo, sobretudo
como consequência de uma urbanização dura e ignorante dos processos ecológicos,
reduz o armazenamento de água nos aquíferos (…) com o consequente aumento dos
escoamentos nas situações de fortes chuvadas (Domingos et al., 2009).
Em Portugal, a Política do Ambiente teve
início com a Lei de Bases do Ambiente, em 1987, e enquadra-se atualmente na
política comunitária, acompanhando e dando concretização às grandes opções
comunitárias no âmbito da política ambiental, procurando-se que a preocupação
ambiental esteja presente em todos os domínios, para que as metas ambientais
possam ser concretizadas. Nos últimos anos, foram publicados inúmeros
documentos legislativos que procuram controlar os impactes nesta área e
harmonizar os procedimentos nacionais com as diretivas comunitárias. As Áreas
Protegidas foram regulamentadas inicialmente pelo Decreto-Lei n.o
19/93 e definidas as diversas tipologias, designadamente Parque Nacional,
Reserva Natural, Paisagem Protegida e Monumento Natural. Posteriormente, foi
criada a Rede Natura 2000, que tem por objetivo contribuir para assegurar a
biodiversidade através da conservação de habitats
naturais e da fauna e da flora selvagens no território europeu. Esta rede é formada
por Zonas de Proteção Especial (ZPE), estabelecidas ao abrigo da Diretiva Aves
e Zonas Especiais de Conservação (ZEC), criadas ao abrigo da Diretiva Habitats. A Estratégia Nacional de
Conservação da Natureza e da Biodiversidade 2025 (ENCNB) concretiza a Política
Nacional nesse domínio, apresentando as linhas fundamentais que orientam o
desenvolvimento das múltiplas ações (…). Com efeito e embora o propósito
enunciado internacionalmente coloque foco mais imediato na necessidade de
estancar a perda da biodiversidade, move esta estratégia ambição de alcançar
uma recuperação e valorização do património natural nacional. Esta realidade
compreende as espécies e seus habitats
assim como o património geológico, manifestado no meio terrestre ou marinho,
assim como o conjunto das áreas protegidas da Rede Nacional (Estratégia Nacional de Conservação da Natureza
e da Biodiversidade, 2017).
Parque
Nacional Peneda-Gerês
O Parque
Nacional da Peneda-Gerês foi a primeira Área protegida criada em Portugal (Decreto
n.º 187/71, de 8 de maio), sendo a única com o estatuto de Parque Nacional,
reconhecido internacionalmente com idêntica classificação, desde a sua criação,
por parte da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), devido
à riqueza do seu património natural e cultural, sendo um dos últimos redutos do
país onde se encontram ecossistemas no seu estado natural, com reduzida ou nula
influência humana, integrados numa paisagem humanizada (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas).
As imagens que
a seguir se apresentam são da minha autoria, captadas no Parque Nacional da
Peneda-Gerês, em 2009.
A nível internacional, a
Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD) que decorreu durante a Conferência
das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1992, no Rio de
Janeiro, constituiu, inequivocamente, um acontecimento mundial de referência
para a proteção e conservação da biodiversidade, enquadrando-se num modelo
global de desenvolvimento que defende uma exploração sustentada dos recursos,
procurando, acima de tudo, estimular a compatibilização entre a proteção dos
recursos biológicos e o desenvolvimento económico e social. «This interdependence between environmental
and development goals stresses the importance of partnersships and the
potential for synergies among multilateral environmental agreements. (…) The
global scenarios continued loss of biodiversity, with attendant changes in
ecosystems services and declines in human well-being in some regions and
populations » (Millennium Ecosytem
Assessment, 2005).
O conhecimento dos “hotspots” da biodiversidade e a garantia
de uma estratégia de conservação global dos ecossistemas, determinará a
abertura de perspetivas de um horizonte no qual se vislumbre a harmonia entre o
ser humano e a Natureza, assegurando às populações condições de segurança e
bem-estar.
Referências
Bibliográficas:
- Bacelar, P, e Azeiteiro, M. (2015). ”Changes in flora and fauna on terrestrial
and aquatic environments as the climate warms”.
- Domingos, T. e al
(2009). “Promotores de alterações nos
ecossistemas”.
- Proença, V. e al
(2009). “Biodiversidade”.
- Decreto-Lei n.o 11/87 de 7 de abril. Diário
da República no 81/87 – I Série. Assembleia da República. Lisboa.
- Decreto-Lei n.o 19/93 de 23 de
janeiro. Diário da República no 19/93 – I Série- A. Ministério
do Ambiente e Recursos Naturais. Lisboa.
- Decreto-Lei n.o 140/99 de 24 de
abril. Diário da República no 96/99 – I Série- A. Ministério
do Ambiente. Lisboa.
- Estratégia Nacional de Conservação da Natureza
e Biodiversidade – ENCNB 2025. (2017). Ministério do Ambiente. Lisboa.
- Resolução do Conselho de Ministros n.o
115A/2008 de 21 de julho. Diário da República no 139/08 – I
Série- A. Presidência do Conselho de Ministros. Lisboa.
- Millennium
Ecosystem Assessment, 2005. Ecosystems and Human Well-being: Biodiversity
Synthesis. World Resources Institute, Washington, DC.
- Miller, G. Tyler & Spoolman, Scott (2005)”Living in the
Environment: Concepts, Connections, and Solutions”,
Brooks/Cole, Belmont.
- “Os seis graus que podem mudar o mundo”, disponível em https://www.youtube.com/watch?v=pJxuy3yTD-o
. Acedido em 12 de novembro de 2017.
-Parque Nacional da Peneda – Gerês. Instituto da Conservação da
Natureza e das Florestas, em http://www.icnf.pt/ .
Acedido em 12 de novembro de 2017.






Boa noite Sandra,
ResponderEliminarConsidero de facto interessante ter incluído nas forças motrizes directas que têm sido responsáveis pela alteração de biodiversidade em Portugal "o aumento da rede viária". A minha sensibilidade dizia-me que Portugal teria um número muito elevado de sistema de estradas e auto-estradas, elevado ao ponto de ser um dos maiores da Europa, diria eu. Agora ao ler a sua reflexão decidi ir investigar e descobri que Portugal vem apenas em (sensivelmente) 22º ou 23º lugar na lista de países da Europa com maior Densidade de Rede de Autoestradas (http://en.worldstat.info/World/List_of_countries_by_Density_of_road_network). Mais do que Portugal, acho que esta minha descoberta diz-me mais sobre a Europa no geral, que afinal esta quantidade muito expressiva de auto-estradas é norma no continente.
Também me deixou a pensar quando referiu como força motriz indirecta o facto de que Portugal se encontrar inserido na União Europeia e que, como tal, se encontra forçado a cumprir uma série de políticas e directivas comunitárias. Eu sempre fui uma "europeísta" e entusiasta da ideia de uma União Europeia até ao final da minha adolescência, mas nos últimos anos acho que tenho assistido em mim uma tendência em sentido contrário e tenho actualmente algumas reservas à veracidade do "plano europeu", de uma união de facto Europeia devido a toda uma degradação dos ideias que estavam na sua base. Não tenho conhecimento suficiente por isso não me porei aqui a fazer suposições baratas, mas qual será que terá sido o efeito de estarmos inseridos na União Europeia em relação à temática da biodiversidade? Será que terá sido positiva com a sua legislação ambiental ou será que foi mais negativa como é exemplo as consequências da livre troca de produtos e o nivelamento comum de preços na agricultura, que levou a que os agricultores portugueses tenham que competir com grandes agricultores, p.ex. franceses, incitando a produções em massa em Portugal?
Deixo aqui estes meus pensamentos.
Muito boa reflexão Sandra, muito completa e extensiva!
Maria Guedes
Olá Maria!
EliminarObrigado pelo seu comentário. De facto a adesão de Portugal à CEE em 1986, atual UE, criou inúmeras oportunidades para o país e conduziu a profundas alterações na sociedade portuguesa, manifestando-se em inúmeros progressos e promovendo um notável desenvolvimento económico e social. Não obstante, atualmente continuam a verificar-se assimetrias bem marcadas no espaço comunitário, sendo uma dessas desigualdades relativas à acessibilidade.
A aplicação dos fundos comunitários no desenvolvimento de Portugal, traduziu-se num aumento da qualidade da rede viária já existente e na quantidade, através da melhoria da acessibilidade entre o litoral e o interior, aproximando-os, e à Europa. Apesar da melhoria e extensão da rede rodoviária, atualmente ainda subsistem desigualdades internas na distribuição espacial da rede de estradas, que se encontra associada aos contrastes demográficos, económicos e sociais em Portugal. Por outro, dadas as assimetrias que igualmente se verificam no espaço comunitário, a política europeia dos transportes tem como objetivo central suprimir esses estrangulamentos existentes nas redes de transportes, através das redes transeuropeias de transportes (RTE-T), definindo estratégias que assegurem uma mobilidade sustentável de pessoas e mercadorias, numa Europa sem fronteiras, nas melhores condições ambientais e de segurança, de forma a que haja um reforço da coesão social e económica na UE.
A adesão à UE e a consequente aplicação da Política Agrícola Comum (PAC) traduziu-se, por um lado, numa melhoria das condições de produção agrícola, com investimentos que fomentaram a introdução de novas técnicas, conducentes à modernização do setor, bem como impulsionou a introdução de novas variedades culturais, como as culturas industriais e a presente valorização das culturas energéticas. Por outro, conduziu a significativas alterações na estrutura das áreas de exploração agrícola, que, por exemplo, refletiram o aumento das pastagens permanentes e diminuição das terras aráveis, bem como a redução da produção, particularmente de cereais, cultura em que o país não era e continua a não ser autossuficiente. Por exemplo, a reforma de 1992, a fim de desencorajar a produção, veio dar sinais contrários ao que os agricultores esperavam, pois a agricultura portuguesa precisava de aumentar a produtividade, para reduzir as importações e aumentar a sua competitividade. Por outro, o início do Mercado Único, ao impor a livre circulação de produtos, confrontou prematuramente o setor agrícola nacional com a concorrência externa. Assim, apesar de a agricultura portuguesa ter beneficiado do processo de integração na UE, muitas questões permanecem por resolver. Os problemas que hoje encontramos no mundo rural, especialmente do interior do país, decorrem, em parte, da aplicação no tempo de políticas comuns no setor agrícola e que foram determinando um despovoamento progressivo destas áreas. A importância do desenvolvimento rural tem sido observado nas sucessivas reformas da PAC, no sentido de se garantir uma sustentabilidade crescente destas áreas, onde a conservação e manutenção da biodiversidade são uma das múltiplas componentes.
Cumprimentos,
Sandra Duarte